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Nalva Araújo

Estrela que me deu à Luz,
Caminho de volta para casa,
A quem clamo em minha dor,
Quem me protege com suas asas!

Mulher de incondicional amor,
De olhos serenos, de braços
Abertos e de alto astral! por ela
Eu vivo e morro, é dela meu amor cabal!

Com ela eu posso contar e me contar
A qualquer tempo, para ela não tenho segredos,
Ela sabe até os meus pensamentos...

Ela que me aceita sem exigência,
Que em cujo olhar me vejo gigante,
Ela que me perdoa todas as falhas - até ausência
E que me guarda - qual diamante!

Ela que me aguou com paciência,
E me fez brotar humanamente!

Mãe - minha estrela mais radiante!
Seu nome é generosidade - benevolência,
Carne de minha carne, meu alimento e sapiência!

Mãe - se existe mesmo uma outra vida,
Para você eu quero voltar - Oh Mãe querida!


Nalva Araújo










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Nalva Araújo

Preciso caminhar meus passos, 
descobrir as novas sendas, 
minhas reais possibilidades, 
não perder-me em velhas lendas; 

Preciso cheirar o bom esterco, 

e apear meus bois pelo rabo, 
amassar meu próprio barro, 
e erguer-me de vez do charco; 

Preciso futurar-me sem ilusão, 

achar-me num outro espelho, 
desenferrujar os meus joelhos:
terror que me vem em aluvião; 

Preciso me olhar por dentro, 

descobrir o que inda me resta, 
além do caos do pensamento:
a minha pequena luz na fresta... 


Nalva Araújo





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Nalva Araújo

Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada -
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
Onde se conta uma história,
onde se vive um delírio; onde a condição humana exacerba,
até à fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,
à sombra de Eva Braun, envolta no mistério ao mesmo tempo
fácil e insolúvel da sua tragédia.
Sim, é o encontro com a Poesia.

(Poesia feita em homenagem ao poema Geometrida dos Ventos de Álvaro Pacheco)

Rachel de Queiroz






 








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Nalva Araújo
 A Palavra Seda

A atmosfera que te envolve
atinge tais atmosferas
que transforma muitas coisas
que te concernem, ou cercam.


E como as coisas, palavras
impossíveis de poema:
exemplo, a palavra ouro,
e até este poema, seda.


É certo que tua pessoa
não faz dormir, mas desperta;
nem é sedante, palavra
derivada da de seda.


E é certo que a superfície
de tua pessoa externa,
de tua pele e de tudo
isso que em ti se tateia,


nada tem da superfície
luxuosa, falsa, acadêmica,
de uma superfície quando
se diz que ela é “como seda”.


Mas em ti, em algum ponto,
talvez fora de ti mesma,
talvez mesmo no ambiente
que retesas quando chegas,


há algo de muscular,
de animal, carnal, pantera,
de felino, da substância
felina, ou sua maneira,


de animal, de animalmente,
de cru, de cruel, de crueza, que sob a palavra gasta
persiste na coisa seda.



(Quaderna, 1956-1959)
Fonte: www.academia.org.br
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/joao-cabral-de-melo-neto/a-palavra-seda.php











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Nalva Araújo


[ São os passos que fazem os caminhos.
Mario Quintana ]

 Cântico Negro
 
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí! 


 
José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'

http://www.citador.pt/poemas/cantico-negro-jose-regio







 

Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde estou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende não vê
Se não me vê não entende

Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Se a minha mente virasse sol
Mas só chove, chove
Chove, chove

Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol

Mas só chove, chove...




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Nalva Araújo


Inda que eu falasse mais de mil palavras
não seriam suficientes para o descrever...
De tantas guardadas em seu cofre da vida....
Histórias remotas,de eras perdidas das vistas,
perdidas das botas... Do paleozóitico
ao contemporâneo... Ele é o cara!
O cara é fera,é gênio é crânio!

Ah! Ele sabe do passado ao presente,
e se duvidar,sabe até o futuro...
E é sensível:sabe tudo de gente!

É na flor amarela da pele que
brota a sua memória!
Ele transpira a história,
Se contorce todo e sai
pelos poros...

Em suas horas medonhas
fecha o semblante,veste-se de ninja,
e no segundo seguinte saca um poema,
uma música:

"Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir" ...

E sua alma canta e encanta
No tom mais doce e pueril
que pode existir...
Num ser que te olha gentil
...e se deixa olhar,dá-se sem medo,
escancara as portas...conta segredos!
Está sempre armado de música e poesia...

(me encanta)

E vê-se logo,o que sai de sua origem
complexa,nipônica e bela,é pura
filosofia ,é poética - é história: de amor à profissão!


(ao professor de História - um crânio)






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Nalva Araújo


Um pequenino botão em flor
de brilho e perfume marcante,
de abraço farto e agasalhador
sua simpatia é saltitante!

Sua doçura desperta amor...
Para ela, intimidade é coisa boa,
pois,se conhece com quem se lida
vê-se logo quem é a pessoa...

Segundos antes de Leslie entrar
Um mensageiro vem à ribalta
lhe anunciar, è seu sorriso a
matéria em pauta,o resto da
cena toda é improviso]

Tão meiga e tão igual...e por ser
igual,tão diferente! Compreensível!
É mestra na Ciência da vida...Sabe
tudo de células,de Darwin,Mendel e Lineu,

Explica a fotossíntese,o cromossomo e
o gineceu!Todavia,o que lhe agiganta...
E a faz uma espécie em extinção...
E ver a todos como iguais...

Leslie,não tem barreiras de proteção,
tampouco, muros em seus quintais,
Leslie acolhe a todos de coração,
para Leslie somos vitais!...


( À gigante professorinha de Biologia )

http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdedicatorias/3843799

NalvaSol




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Nalva Araújo


Siento su olor agradable de la hierba salvaje,
mismo distante...usted invaden mi 
habitación, a perfumar mi alma...
Me haciendo perder la tranquilidad y la calma.

Deseo usted con la rotura del amanecer... 
me gusta su sonrisa dulce temprano;
Quiero  perderme en ti y me hallaréis en sus ojos!

Te extraño



NalvaSol








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Nalva Araújo



Solidão: é quando
não se cabe dentro
de si...

e o pensamento 
sai em busca 
de outro...


NalvaSol










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Pai
Nalva Araújo

Pai... não estiveste presente aos
meus dias, todavia, compreendo
foi a vida com seu enredo,que ao
subtraí-lo de mim tão cedo,levou

a segurança... E todo meu desejo
de criança cedeu lugar ao medo
às desconfianças... Sem o lúdico
e sem teu colo,ainda sofro,ainda

choro...E para a tua ausência não
há consolo!Pai,se há remédio pra
essa dor eu ignoro! Contudo,meu
Pai... Eu agradeço tua passagem;

Me deste a vida,foste minha estrela
mais colorida;Um sonho,cujo sabor 
jamais passou!O meu presente, meu 
               Oásis - meu primeiro amor!]




Nalva Araújo - NalvaSol







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Nalva Araújo


Atrás do tempo há uma cortina,
Em frente ao espelho
O sorriso uma menina,
A saudade
De um perfume que não senti.
No jardim,
A flor se abriu
E minhas mãos perderam pétalas.
Nos céus, ahhh... nos ceús !
Teu nome circula entre os deuses
E meus ouvidos escutam,
Clamo por teus olhos
No reflexo de minha alma.
Calma... estou aqui,
Na distância que me sorriu
Nunca houve um vazio,
Porque no dias mais frios
Teu amor me aqueceu...


Mario Sergio Andrade 


(Presente do meu amigo poeta)

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Nalva Araújo


o brinde
da vida
aflora em festa
 
já borbulha
na borda
da manhã que começa

tim-tim, minha carne:
reacorda!

tim-tim, minha alma:
fica ébria!


Adriano Wintter

( Presente do meu amigo Poeta)


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Nalva Araújo


Obrigada a todos amigos do Facebook pelas felicitações e
carinho, um grande beijo no coração!

Inda que distantes,
que não nos vejamos jamais,
tua vibração me consola,
e alivia meus "ais"...

E quando nos abraçamos
em unissonantes ecos de amor
o universo todo conspira
e varre do planeta a dor...

Se Tu existes eu resisto,
és mensagem quando estou triste;
Se Tu somes Eu insisto,pois,
O verdadeiro amigo persiste!

Amigos - reais ou virtuais
tua palavra salva uma vida
Não te esqueças jamais!


Nalva Araújo

Ofereço Roberto a vocês...

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Nalva Araújo


O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Autor - Alvaro de Campos (Fernando Pessoa)
http://www.astormentas.com/PT/






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Nalva Araújo

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.




Fernando Pessoa 






(saudade)

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Nalva Araújo



Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
E não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albônico.
Tu,fão.
Eu,fônico.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu,piniquim.
Eu,ropeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu,multo.
Eu,carístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu,cano.
Eu,clidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu,tano.
Eu,femismo. 
 
Luis Fernando Veríssimo





( olha o comboio...)


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