Nalva Araújo
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles,

perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

(Guilherme de Almeida-Nós, 1917.)


Esse soneto eu o decorei aos quinze anos para recitar no colégio,e nunca mais o esqueci,acho ele  muito triste,pra mim  ele representa a falta de espectativa,de confiança no futuro,de alguém que perdeu a vontade de sonhar...e por incrível que possa parecer,eu o escolhi por me identificar perfeitamente ,esse era meu sentimento naquela época, com quinze anos.
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