Nalva Araújo


[Muito embora o texto não seja de  minha autoria,só publico o que diz de mim...o que me lê, e o que me descreve...
Essa publicação  é -"O inacabado que há em mim"...


Não me decidi,não estou pronta...ainda não me sei...faço e refaço-me a cada dia,caminho,tropeço...
Levanto...e  sigo metamorforseando-me como uma crisálida...
Porque de mim...Sou minha própria Meta"... Nalva Araujo]



Eu me experimento inacabado. 
Da obra, o rascunho. 
Do gesto, o que não termina.
Sou como o rio em processo de vir a ser. 

A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. 
O rio é a mistura de pequenos encontros. 
Eu sou feito de águas, muitas águas. 
Também recebo afluentes e com eles me transformo,
O que sai de mim cada vez que amo? 

O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim? 
Eu me transformo em outros? 
Eu vivo para saber. 
O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. 
O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. 

Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. 
Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos.
Por vezes o cansaço me faz querer parar. 
Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. 
Os encontros são muitos; as pessoas também.

As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração

É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.
Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.
Melhor mesmo é continuar na esperança de confluências futuras. 
Viver para sorver os novos rios que virão.

Eu sou inacabado. 
Preciso continuar.

Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. 
A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão. 
Não quero ser multidão todo dia. 
Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. 

Eu sou assim. 
Sem culpas.

Padre Fabio de Melo







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2 Responses
  1. José Sousa Says:

    Olá Nalva. Não conhecia quer o texto quer o video, Muito obrigado pela partilha, Um beijo.


  2. CharlesNetto Says:

    Belíssimo post e gostei muito da imagem do Casulo e da Borboleta que que nos instiga a refletirmos sobre transformação e renascer, valeu pela partilha minha amiga salvei para um de meus arquivos sua imagem disponibilizada em rica postagem, ok!


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